Gostei da leitura, flui muito bem. Fiz algumas correções, até de erros de digitação, e assinalei-as com asteriscos. Enquanto lia, eu pensava, tenho uma história boa para contar ao Cachorrão. Mas à medida que o livro avançava, todas essas histórias apareciam. Vou pensar mais um pouco, procurar alguma anedota inédita, mas acho que você as conhece todas, melhor que eu.

Um grande abraço,
Chico Buarque

Na Imprensa

Além do Som: A Descoberta do Que Compõe a Canção

18/10/2009 - O Regional por Érica Bernardes

Muitas pessoas, ao ouvir uma música, se perguntam em que situação a mesma foi composta, ou ainda qual a história dela, quem é o tal personagem. O interesse sobre as histórias das músicas ultrapassou a curiosidade do jornalista natural de Catanduva Wagner Homem, que decidiu transformá-las em um livro. A escolha do artista que teria sua obra desvendada no primeiro livro do gênero não poderia ser mais precisa – Chico Buarque de Holanda, de quem o catanduvense é amigo desde os anos 80. Wagner Homem, como ele mesmo se define, é “deformado” em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Além do livro que lançou sobre as histórias do amigo – figura emblemática da Música Popular Brasileira (MPPB) – Homem também é responsável pelo site pessoal de Chico Buarque, que ganhou por três anos consecutivos o prêmio iBest, concurso de websites corporativos e pessoais. Por conta do profissionalismo e reconhecimento, o jornalista criou depois os sites da cantora Maria Bethânia e do escritor Mario Prata. O primeiro trabalho que o catanduvense desenvolveu com Chico Buarque foi em 1989, quando atuou como colaborador no livro Chico Buarque Letra e Música, editado pela Companhia da Letras. Com a experiência em lidar com o site do cantor, Wagner Homem, que sempre complementava o portal com notas de histórias sobre algumas músicas, decidiu, com o apoio de Sérgio Nogueira, lançar a publicação “Chico Buarque – Histórias de Canções”.

O Regional: Como surgiu a ideia de lançar um livro sobre as histórias das canções?

Wagner Homem: Há 11 anos administro o site do Chico – www.chicobuarque.com.br. Isso me permitiu ver que as pessoas acessavam muito as páginas em que há historias sobre canções. Um amigo sugeriu então que fizesse um livro. O editor Pascoal Soto gostou da ideia e deu no que deu. Tá na praça.

O Regional: Qual a canção que te despertava maior curiosidade, no sentido da sua história?

Wagner Homem: Não há uma em especial. O que me surpreendeu foi o Chico não ter feito nenhuma objeção à história que contei sobre a canção Ode Aos Ratos. A história está no hotsite www.historiasdecancoes.com.br.

O Regional: Você fez algum tipo de pesquisa para saber do povo quais as músicas que mais despertam a curiosidade? De que forma?

Wagner Homem: Não houve esse tipo de pesquisa. Trabalhei com o material que já conhecia. Apenas chequei algumas histórias em geral com próprio Chico.

O Regional: Como garimpou esse material?

Wagner Homem: Como disse antes, esse material foi coletado ao longo de 11 anos administrando o site, o que significa ler muito e tudo sobre o artista, além de responder aos e-mails que não são poucos.

O Regional: Há alguma música que absolutamente não existe uma história?

Wagner Homem: Sim, muitas. Nem toda canção tem que ter uma história por trás. O Chico tem mais de 300 canções. No livro há umas cento e poucas.

O Regional: O Chico Buarque frequentemente é classificado como possuidor de uma alma feminina. Como funciona, então, essa relação com as histórias de suas canções?

Wagner Homem: Bem, essa é uma pergunta mais para o Chico que para mim. O que sei é que grade parte das canções que ele fez do ponto vista feminino, foi destinada a personagens de peças de teatro ou filmes.

O Regional: Qual a história mais curiosa de todas as pesquisadas por você?
Wagner Homem: Para mim foi Meu Caro Barão. O verbete está no site.

O Regional: Sabendo a história da canção – e assim derrubando os seus véus, o seu mistério – ela perde um pouco da sua poeticidade ou amplia ainda mais a sua relação com o ouvinte?

Wagner Homem: Não creio. A ideia do livro não é interpretar canções. É pura e simplesmente contar casos. E, ao conhecer os fatos, pode ser que o leitor tenha, sim, uma nova visão. Mas, melhor, certamente.

O Regional: No seu site, você diz que o cantor Toquinho costuma dizer que às vezes as histórias das canções fazem mais sucesso que elas mesmas. Como você vê isso?

Wagner Homem: Ele me disse isso quando pedi que ele escrevesse a orelha do livro. Como ele faz muitos shows pelo mundo afora, ele sabe o que está falando. As pessoas têm realmente muita curiosidade sobre isso. É uma maneira de se apossarem mais completamente da obra.

O Regional: Você é amigo particular de muitos artistas. Já vivenciou alguma história que acabou formando essas canções?

Wagner Homem: Não. Vivenciei algumas histórias relacionadas a algumas músicas, como Januária, Meu Caro Barão, Ilmo Sr. Ciro Monteiro, Cecilia e outras.

O Regional: Por que a escolha do Chico Buarque?

Wagner Homem: A escolha do Chico tem vários motivos: o fato de eu administrar o site oficial, o fato de ele ser um artista com uma carreira consistente e gloriosa, o fato de ele ter desempenhado um papel importante na história recente do país. Era, portanto, um ótimo nome pra iniciar a coleção Histórias de Canções.

O Regional: Você também é compositor? Se policia quanto ao fato de experimentar uma história e automaticamente transportá-la para uma canção?

Wagner Homem: Não sou compositor, nem músico. Desafino até cantando Parabéns a Você.

O Regional: O livro já está à venda?

Wagner Homem: O livro já está venda nas livrarias e grandes sites. Já há duas noites de autógrafos programadas. Uma em São Paulo, na livraria Cultura do Shopping Bourbon na Pompéia, dia 26 deste mês, e outra na Livraria Travessa do Shopping Leblon, no Rio. Espero poder fazer uma noite dessas em Catanduva que é minha cidade natal.

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